Diferenças

Julgar os outros é um péssimo gosto. Por que as pessoas gostam de fazer isso? Porque a maior parte delas acredita em “bom” e “mau”. Na antiguidade, a filosofia platônica criou uma linha imaginária: abaixo dela, colocou os corpos; acima, as essências (chamadas “o bem”) de caráter universalizante, que deveriam ser copiadas pelos corpos para que houvesse vida virtuosa. Mais tarde, com o cristianismo, “o bem” veio a ser substituído por Deus, mas ainda mantendo-se a linha. Nesse mundo, não há qualquer espaço para a criação de novos modos de existência, pois ele é baseado na cópia de essências transcendentes. Foi o pensamento estóico que, ainda na antiguidade, aboliu essa linha. Os estóicos baixaram as essências e as colocaram nos próprios corpos, o que representou uma mudança significativa no pensamento, pois cada corpo passaria a ter sua própria essência. Daí nasceu a ideia de diferença, que viria a ser tratada ao longo da história por uma outra linha de pensamento. O platonismo é o mundo da moral e das religiões. O pensamento da diferença é o mundo da criação de si ou, nas palavras de Foucault, da “estética da existência”, tornando a vida mais rica e interessante. Para os platônicos de plantão, vale lembrar: “riquezas são diferenças!”

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